O que é o Turismo Criativo?

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O TURISMO CRIATIVO é considerado como uma nova geração de turismo, que implica a participação dos turistas em atividades criativas, com a população local.

A tendência geral para a segmentação dos mercados, nos últimos anos, favoreceu o aparecimento de um novo perfil de turista, mais atraído pelas especificidades e sectores concretos dos locais de destino do que pelos aspectos mais generalistas. Assim, surge um sem fim de modalidades turísticas, tais como, o enoturismo, o turismo idiomático, o slow tourism, o turismo de congressos, entre outros, e também o turismo criativo. O turista criativo é tendencialmente exigente, sendo que, a singularidade das experiências propostas determinará em larga escala a eleição do seu destino.

O crescente interesse dos turistas nesta nova forma de descobrir uma cultura interessa particularmente aos responsáveis pelo desenvolvimento territorial e os operadores, sensiveis à posibilidade de atrair um turismo de qualidade, dando relevo ao património imaterial (workshops de artesanato, cursos de cozinha,…) e optimizando o uso das infraestruturas existentes (mediante, por exemplo, o aluguer de salas e auditórios).

Turismo criativo…

‘‘Tourism which offers visitors the opportunity to develop their creative potential through active participation in courses and learning experiences, which are characteristic of the holiday destination where they are taken.”

Crispin Raymond and Greg Richards, 2000

O turismo criativo tem numerosas vantagens, entre as quais:

  • A oportunidade de diversificar a oferta turística de um destino, incluindo – no caso de territórios que não tinham vocação turística prévia – a posibilidade de abrir-se a um turismo de qualidade optimizando os recursos materiais e imateriais existentes (tradições, savoir-faire, artesanato, presença de artistas,…), assim como as infraestructuras, os equipamentos culturais, o patrimonio de momumentos,…
  • O interesse dos turistas criativos pela cultura em geral e a do seu destino em particular, vai mais além das visitas aos locais turísticos, já que desejam “experimenta-la” e conhecer os seus protagonistas. Esta atitude influência positivamente a autoestima da população local e é muito valorizada, numa época em que muitos destinos devem encontrar o equilíbrio entre a afluência massiva de turistas e a qualidade de vida dos residentes. Esta forma de turismo também contribui para a perpetuação e valorização de tradições, já que propõe regularmente atividades relacionadas com os costumes locais.
  • A dissociação das estações do ano. Pode realizar-se em qualquer estação do ano, o que possibilita aos locais de destino manter a atividade turística durante todo o ano.
  • A deslocalização geográfica. O interesse menor dos turistas criativos pelas “atracções turísticas” contribui para uma distribuição populacional mais equilibrada do espaço geográfico de destino. Um turista criativo que repete uma estadia em Barcelona, por exemplo, não voltará a visitar os edifícios emblemáticos mas antes “viverá” no bairro onde se desenvolve a sua atividade criativa.
  • A sua capacidade de se entrusar perfeitamente com outros segmentos turísticos como o turismo gastronómico, o idiomático, o enoturismo, o slow tourism e tantos outros. Permite realizar economias de escala e criar sinergias, por exemplo, ao nível da sua difusão.

Creative tourism is a projection of a new tourism in which natural, cultural and
personal ressources are not manipulated and exploited but valued and enriched.

Jelincic and Zuvela, 2012

– Quem são os turistas criativos?

É difícil fazer um retrato standart deste novo turista que, por definição, quer viver experiências únicas!

  • Pode tratar-se de um turista que viaja sozinho, com um companheiro, em família ou em grupo.
  • A título individual ou através de operadores especializados.
  • As atividades criativas, que representam o principal motivo da sua viagem, possiblitam a aprendizagem (cursos,workshops,…), a criação (residência artística, co-criação com artistas locais) ou a representação (interpretação de concertos, obras teatrais, bailes ou exposições).

Assim, o turismo criativo pode acontecer através de um grupo que se desloca a Biot (Costa Azul, Francia) para fazer um curso de cerâmica e disfruta da excepcional qualidade de vida da Provenza, de um indivíduo que experimenta a cultura indígena Maya participando num workshop de textil em Guatemala, de uma orquesta universitária americana que aluga um prestigioso auditório de Barcelona para realizar um concerto e convidar o público barcelonês… ou de tantas outras formas.

Por outro lado, se considerarmos os motivos que levam o turista criativo a optar por este tipo de estadia, podemos observar uma evolução recente. Há pouco mais de cinco anos, o turista criativo era um indivíduo que já practicava uma atividade artística no seu país e que queria aperfeiçoa-la durante as suas férias, (ex: curso de pintura, de guitarra, de dança,…).

Assim, estamos a asistir a uma nova tendência em que os « turistas em geral» incorporam cada vez mais atividades participativas e criativas no seu programa tradicional de visitas, com o objetivo de viver experiências culturais e humanas.

Algumas ideias gerais sobre os turistas criativos:

  • Desejam descobrir a cultura local participando em atividades artísticas e criativas.
  • Desejam viver experiências que lhes permitam sentir-se « integrados » no seu destino.
  • Não lhes interessam os monumentos nem o “espectacular” ou o « turismo de superlativos ».
  • São prosumers e partilham as suas experiências através das redes sociais.
  • Depois de experimentarem o turismo criativo não se conformam com um circuito convencional.
  • Dedicam uma parte importante do seu orçamento à realização destas atividades /experiências.
  • Tendem a combinar, numa mesma viagem, vários tipos de turismo: criativo, idiomático, gastronómico, industrial, ecoturismo, slow tourism, entre outros.