Douro-Wellcome (North Portugal-Spain)

Douro-Wellcome- creative tourism

Considerada uma forma emergente de fazer turismo, tanto pelo lado da oferta como pelo lado da procura, permite ao turista aprofundar o contacto e conhecimento com a cultura local, através da participação direta em actividades culturais e criativas, na maior parte das vezes envolvendo as populações locais.

Deixe-se levar por este novo conceito na sua próxima escapadinha!

douro-wellcome

www.dourowellcome.com

Experiências criativas:

Entrevista  a Mário Carvalho, CEO da Douro-Wellcome:

– De onde surgiu a ideia da  incorporar a rede internacional de Creative Tourism Network®?

A Douro-Wellcome teve sempre como prioridade uma oferta diversificada e cuidada de programas turísticos, por isso à medida que fomos acompanhando o desenvolvimento dos movimentos SLOW internacionais, percebemos que em Portugal existia essa lacuna…

– Foi difícil? Tiveram apoios?

Foi trabalhoso… mas simples. Na verdade, o CEO da Douro-Wellcome também coordena o Grupo de Trabalho de Turismo Sustentável da Quercus – Associação Portuguesa de Conservação da Natureza, a maior associação ambientalista portuguesa, o que foi um apoio excelente! Além disso temos relações privilegiadas com a Fundação de Ecoagroturismo de Espanha que se mostrou muito disponível. De resto, o importante é manter o foco e seguir as diretrizes internacionais.

 

– Quais são os seus objectivos? A sua filosofia?

A Douro-Wellcome envolveu-se neste projeto de alma e coração!
Primeiramente pretende-mos contribuir para a preservação das tradições e costumes portugueses.
Depois, sabemos que hoje em dia, quando viajamos tiramos imensas “selfies” junto a monumentos que mesmo sendo património, posteriormente não nos recordamos do nome, assim, é nossa intenção que quem visite Portugal o faça de forma mais ativa, mais autêntica e mais criativa.
Queremos acima de tudo criar memórias, o que só é possível se vivenciarmos as coisas, se participarmos em experiências inesquecíveis e únicas. Por fim, nos programas turísticos que oferecemos, temos o cuidado de envolver as comunidades locais, de certa forma pretendemos contribuir para o desenvolvimento económico e social destas comunidades e selecionamos as que se encontram alinhadas nos princípios do ecoturismo, por forma a reduzir a pegada ecológica que o turismo gera.

– Que actividades propõe?

Muitas! Por exemplo, caminhadas ao ar livre, em que os turistas acompanham o percurso de de um pastor com o seu rebanho, ou passeios pelo campo guiados pelo proprietário de uma unidade agrícola ou de um alojamento rural, como as vinhas. Também temos atividades relacionadas com a gastronomia local…

 

– Comer em locais tradicionais?

Sim! Temos um roteiro de restaurantes excelentes, mas não só. Referia-me mesmo a confecionar, num dos programas podemos aprender a fazer o pão, ou então fazer compotas e licores de produtos autóctones, ou um dos meus preferidos que é visitar a casa de um lavrador e aprender a fazer fumeiro à lareira, com a presença dos avós, dos filhos, dos netos… Também dispomos de programas na área do enoturismo, que oferecem uma experiência vínica, como um dia passado numa Quinta em visitas e provas, ou o pacote mais comum que é a participação nas vindimas. Temos ainda Workshops de artesanato, como o de máscaras tradicionais de Trás-os-Montes (nordeste de Portugal), em que uma família aprende a técnica com o artesão local na sua oficina, e por fim pode levar para casa a tua máscara…

-Não faltam alternativas, alguma surpresa?

A cereja em cima do bolo: Na zona da fronteira entre o Norte de Portugal e a Galiza, fazemos uma actividade relacionada com a prática já extinta do Contrabando, em que os visitantes participam ativamente numa recriação à época, realizada por uma associação local.
Todos os atores são residentes na aldeia de acolhimento, e mesmo eles já foram antigos guardas fiscais, carabineiros ou contrabandistas. Agora adivinhe quem vão ser os Contrabandistas…

 

– Qual é a vossa maneira de trabalhar com as comunidades locais?

Com proximidade. Como referi antes, sempre que possível envolvemos a população local, o que torna este projecto diferenciador. São estas pessoas que melhor conhecem a região e os costumes e quando colaboram com a Douro-Wellcome ficam felizes e orgulhosas por receber visitantes nacionais e internacionais, genuinamente interessados na cultura portuguesa. Adoram partilhar as suas tradições, os seus saberes, porque sentem que assim, as podem perpetuar.

 

– Qual o perfil dos turistas “criativos” que participam nas vossas actividades?

Temos participantes de todas idades, portanto podemos dizer que o denominador comum são pessoas que vivem em ambiente urbano, e que sentem curiosidade pela forma de viver nas aldeias e vilas do interior de Portugal. Ou, no caso das famílias, que querem partilhar essa referência com os filhos e os netos.
Podemos dizer que os turistas que procuram este produto apreciam destinos não massificados, gostam de lugares autênticos e genuínos. Alguns também já demonstram uma preocupação ambiental e valorizarem a responsabilidade social e económica.

– Qual é o valor acrescentado da Douro-Wellcome para o território?

Através da participação da comunidade local em atividades específicas, da utilização dos seus serviços e dos seus produtos Km 0, contribuirmos para criar valor aos produtos locais na sua origem.
Fomentar nestas ações que os turistas adquiriram produtos autóctones e sazonais, apoiando os produtores locais, a agricultura biológica e a biodiversidade agrícola, o comércio justo e o equilíbrio entre os interesses dos turistas e a população local.
Todo este ciclo é desencadeado pela vinda de turistas ao interior de Portugal, criando uma dinâmica importantíssima, que vai melhorar a qualidade de vida das populações locais, que diversificando as suas atividades, aumentam o seu rendimento, possibilitando a fixação de pessoas neste território de baixa densidade.